Manifesto 2022

Manifesto M’Boy de 22
Viva a utopia
Viva o sonho
Viva a transformação social e humana
Viva a cultura como forma de expressão
Ação sensação e liberdade interior e exterior
O que está dentro está fora
Não ao genocídio da cultura
Não a desvalorização d#s artistas
Não ao massacre da nossa história
Não a continuação da padronização dos corpos domesticados que ainda gritam por liberdade
Não a negação de artistas a serem privad#s de viverem dignamente de sua arte
Viva ao reconhecimento da arte como profissão
Não ao moralismo
Deuses do teatro e de todas as artes e dos orixás resgata Embu das Artes dessas prisões
Não ao massacre de artista periféricos
Não ao massacre de artistas da cidade como um todo
Viva a arte
A arte quer continuar sendo viva
Por isso viveremos e mesmo que tirem o nosso último suspiro
Viveremos
Nunca
Morreremos
Viva a vida Viva a arte Viva Nossas memórias que nos mantém viv@s e a nossa contemporaneidade nesse turbilhão de saberes e criações
Viva
A Estância Turística de Embu das Artes. A M’boy. O Bohí. A Embú. A Boy. O Bohu. O Alboy. A Emboi. O Embohu. A Embu.
Por tudo que não foi dito e que esteve mal digerido no estômago da terra, que misturou-se aos ossos e não aceita ser condenado.
Esse Embu tão das artes. Comércio. Logística. Pedreira. Grande São Paulo. Turismo. História tombada. Progresso vivo. Cachorro. Histórico. Cobra. Colonizado. Suvenir, museu a céu aberto, lendas enterradas. Sítio arqueológico. Cemitério de ossadas. Silenciado.
Por todo trato mal feito e acordos à penumbra.
A cobra preta passa cansada e vingativa. Dente de veneno. Terra de passagem de Peabiru nas corredeiras e secam. Desde a instauração Brasil, das missões e bandeiras: – instituição e meio século na barriga da cobra m’boy.
As paredes falam em M’Boy, assim como o chão, a mata e seu povo.
Guerreiros da institucionalização nos metem pedras no sapato e pregos no caixão. Rosto de índio mercadoria. Hippies anti-libertários. Performance imobiliária. Praça das artes. Estatuto do comércio.
M’Boy fala através de sua arte, se manifesta através de nós.
Tem sangue e vencidos na digestão da cobra. Balela dos vencedores: Embu Fantasia, fábula cotidiana. Falta quem nos conte o passado de glória e de dono. A produção dos santeiros de padres, mão indigena na arte sacra. Freguesia: ano 1759 pro século XX num hiato não contado. Modernistas encantados. Caipira mercadoria de salão.
Patrimônio e Saudade. Solidão e Paisagem. M’Boy não junta peças soltas: estrangula, engole e vinga. Reconstrução de uma comunidade artística. Uma presa na comunicação e outra no comum. Fomento cultural. Aulas públicas. Grupos de estudo e trabalho. Historiografia alternativa, marginal, reflexão e debate.
Que a covardia de quem censura, a decisão pela ignorância e a auto sabotagem travestida de ganância se percam no labirinto onde a sabedoria da ancestralidade e a força das minorias se encontram!
Coveiros da hora e da cobra. O Embu vai falar de técnica e política das artes. Vai comer da própria terra.
Manifesto M’Boy de 22 foi escrito para o Festival M’Boy de 2022. Foi o primeiro festival realizado pelo Movimento M’Boy junto a comunidade artística de Embu das Artes, que aconteceu no dia 18 de julho, data de relevância histórica e política, por ser uma alternativa a data de fundação da vila de M’Boy em relação a historiografia jesuítica.









