abril 27, 2026

Relato: Lançamento do Acervo Digital de Tônia do Embu & Plataforma Movimento M’Boy

No dia 7 de março de 2026 apresentamos para a comunidade de Embu, no Memorial Sakai de Embu, nosso recente trabalho que dispõe de duas ferramentas importantes: a plataforma de comunicações do Movimento M’boy e o acervo documental totalmente digitalizado de Tonia do Embu. 

Este trabalho, idealizado e realizado pelo Movimento, surge como reflexo referente às inquietações e observações ao longo destes 5 anos sob a perspectiva das necessidades mais gritantes do município dentro da área cultural, de seu patrimônio histórico e de como essa linguagem é fomentada pelo município e seu real interesse no que diz respeito a preservação de sua memória e o contar de suas histórias e seus protagonistas.  

Partindo dessas observações e diagnosticando a ausência total de políticas públicas direcionadas para questões patrimoniais, de Memória e arquivos municipais em Embu, buscamos uma alternativa para que o primeiro passo no caminho dos debates, da organização e pôr fim a realização de acervo e arquivo, uma proposta para um novo olhar e novas perspectivas para a educação patrimonial e acesso democrático a arquivos e acervos de artistas e fazedores da história. 

Iniciamos o processo em maio de 2025, com as primeiras conversas com Tonia do Embu, que de prontidão aceitou o desafio e assim se deu o pontapé inicial, trabalho este que desenvolvemos durante um ano, adaptando metodologia e estudos mais profundos sob a perspectiva deste acervo, pesquisa do material observado e em contato direto com as periodizações de Embu. Porém, infelizmente, Tonia do Embu veio a falecer no meio do processo, o que gerou ainda mais responsabilidade na realização deste trabalho. 

O lançamento do portal de comunicações M’Boy e do acervo foi realizado no memorial Sakai de Embu, no bairro do Cercado Grande, no dia 7 de março de 2026, contando com apresentações dos grupos como os adoradores de Santa Cruz, que trouxeram duas danças da tradicional festa com seus violeiros dentro da capela do Memorial, prestando homenagens à Tonia de Embu (grande incentivadora da festa por longas décadas). Também a presença do ateliê Mãos de Barro, discípulas de Tônia, que realizaram uma importante fala dentro do ateliê do Memorial e distribuíram brindes de peças de cerâmica para o público presente, como uma representação simbólica de sua caminhada junto ao Memorial Sakai. A presença importante também de Márcio Amêndola, historiador de Embu e um grande colaborador de nosso portal, assinando inclusive o texto de apresentação biográfico e as metodologias utilizadas no trabalho de digitalização. A presença importante de Irael, funcionário e curador do memorial Sakai, trazendo depoimentos importantes sobre o histórico do prédio do memorial e seus protagonistas.  

Com uma presença de um público bem curioso e carregado de emoções das quais a noite chuvosa proporcionara, projetamos através do cineclube Bohu, dentro da capela do memorial, o portal, com suas funcionalidades e passando também pelo acervo e documentos digitalizados, com breve explicação sobre o processo feito. Seguindo com a projeção do documentário Um Filme Para Maria Rosa: Arte, Memória e Saúde. Maria Rosa, além de sua atuação como médica sanitarista, também marcou presença no Memorial Sakai, onde trabalhou e participou das oficinas de cerâmica de Tonia do Embu. Por fim, encerramos a noite com a dupla caipira de Embu, Espigão e Messias, trazendo a nata do caipira que acarreta longa tradição na cidade.  

De primeiro, o Movimento idealizou esta ação de lançamento no pátio do Memorial Sakai, com danças, música, depoimentos e projeção ao ar livre, com público transitando entre a capela, o ateliê e o salão de exposição. Uma tempestade, porém, estava prevista. Durante a montagem das estruturas e dos equipamentos, um círculo de nuvens pesadas se aproximava do Memorial, com o vento levando tudo, e veio a chuva, que não parou até o fim da última canção de viola. Partimos então para a estratégia intimista, realizando de maneira calorosa as danças de Santa Cruz que ocupou a pequena Capela junto ao público. O ateliê também foi ocupado, evocando Tônia durante discursos ainda marcados pelo luto. Talvez aí um jeito de atuar – artisticamente – e de lidar com a saudade.

Este trabalho foi contemplado pela política nacional de incentivo à cultura (Aldir Blanc) e idealização e realização do Movimento M´Boy.

Registros fotográficos da noite de lançamento (acervo Cineclube Bohu – Movimento M’Boy):

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