APAGAMENTO – Quando cheguei aqui era tudo mato… por Takumi Matos

Quando cheguei aqui era tudo mato…
Era criança, inocente, assim como a mata e os bichos, o barro, a poeira do chão batido, banho de rio, pescar traíra, cará, cuidado cobra sempre vem sorrateira… na mata a criança cresceu pé descalço, sem camisa, cheio de perebas e remelento. Lembro quando vi um homem fazendo fogo num barril do outro lado do rio, parecia dançar para o fogo, minha mãe disse que era hyppie, não tinha casa, não tomava banho, não trabalhava, não tinha nada… mas ele mesmo assim dançava para o fogo, parecia estar feliz.
Lembro do Dunga, eu era muito pequeno e tinha que olhar pra cima ele parecia tocar o céu. Era um gigante, olhos azuis barbudo, parecia Jesus, mas era hyppie.
APAGAMENTO
Quando coração
sem esforço
não lembra e
pouco a pouco
momentos, lugares,
pessoas, são
esquecimento
na memória falha…
Lembra que
A gente sempre foi excluído
Sempre foi mal falado
Sempre foi subestimado
Nois que só fala
Coisa simples
Fala sem querer
nem saber que era
Só ser ouvido
A gente sempre foi assim.
Baderneiros de cara pintada
Hyppies, maconheiros, drogados, pinguços, pedintes, excluídos, discriminados e também
invejados.
Gente resiste quiném mato que brota do asfalto
A gente é osso duro de roer
A gente é osso.
Dos corpos enterrados
Deste cemitério grandioso!
E todas as figuras icônicas
pouco lembradas
que passaram aqui.
Quem viu, viveu, riu e chorou…
O poeta, sempre
recitava seus versos
Pelas mesmas ruas
Dunga, xuxa, ciru,
papa léguas bibi.
Isso é mais
que um manifesto
É o verso do inverso
Essa revolta só
se resolve com
a revolução!
Outrubro/26 – Takumi Matos









