Uma cidade cultural sem seus artistas, sem seu povo e sem sua memória é apenas cenário – por Pow Litera Rua

foto: apresentação Pow Literarua e Gueto Jam na R. Nº Sra. do Rosário – Centro Histórico de Embu das Artes, no 4º Festival M’Boy de Artes (2024). Acervo Mov M’Boy.
Embu das Artes é memória, resistência e persistência.
Mas também é uma cidade marcada pelas contradições de seu próprio crescimento.
Enquanto o centro histórico, turístico celebra uma imagem de cidade cultural, artística e supostamente acolhedora, onde muitas comunidades em nossas margens seguem sem se reconhecer no Território.
Nesse patrimônio há uma cidade que recebe muitos visitantes, nem sempre consegue fazer seu próprio povo se sentir pertencente aos espaços que carregam sua história.
O crescimento populacional acelerado que transforma territórios, pressiona bairros e ameaça referências que deveriam permanecer estáticas. Patrimônios de séculos, alguns tombados, são derrubados ou abandonados, como se a memória pudesse ser substituída pelos fastfood, ou outlet. Cada perda não representa apenas a queda de uma construção: é o desaparecimento de uma parte da identidade coletiva.
E há também quem mantém a cultura viva no presente: os artistas que lutam por espaços para criar, expor, apresentar e difundir sua arte. Muitos encontram sempre as portas fechadas justamente na cidade que construiu uma história, uma memória e uma identidade. Quando artistas locais não conseguem espaço para difundir sua arte, a nossa cultura vira somente vitrine, somente para inglês ver enquanto outros fazedores de cultura permanecem nas margens.
O desmonte cultural também pode acontecer pelo silenciamento. A censura, explícita ou velada, inibe vozes, limita manifestações e faz com que artistas e cidadãos pensem duas vezes antes de ocupar o espaço público com aquilo que têm a dizer.
Embu das Artes não pode ser apenas patrimônio para quem chega de fora. Precisa ser pertencimento dos cria da aqui e os que escolheram este lugar pra pendurar sua rede.
Preservar a cidade não é congelá-la no passado. É impedir que seu crescimento apague sua memória, que o turismo não exclua seus moradores, que o sistema mercadológico não substitua sua real identidade e que a omissão não mais silencie os artistas.
Porque uma cidade cultural sem seus artistas, sem seu povo e sem sua memória é apenas cenário.
Não sou Cria de Embu das Artes mas adotei este lugar como minha Cidade pois essas terras ancestrais tem muitas memórias *.*
Ass.: Pow Litera Rua
Agosto/2026











