julho 16, 2026

O que preservamos quando preservamos um patrimônio?

por Selma Amaro

Quando falamos em preservar um patrimônio, não estamos falando apenas de cuidar de edifícios antigos, monumentos ou obras de arte. Preservar é muito mais do que conservar objetos, é manter vivas as histórias, os saberes, as tradições e a memória que conectam gerações e fortalecem o sentimento de pertencimento de um povo.

Os patrimônios históricos nos ajudam a compreender quem somos. Eles guardam os vestígios do passado e revelam as narrativas que moldaram nossa identidade. Cada igreja, praça, museu, coreto ou construção histórica carrega marcas de pessoas, acontecimentos, encontros e transformações que continuam presentes em nossa vida coletiva.

Mas o patrimônio não é feito apenas de pedra, madeira ou cal. Também preservamos aquilo que não podemos tocar, as festas tradicionais, as manifestações culturais, as técnicas artesanais, os cantos, as receitas, as histórias contadas pelos mais velhos e os conhecimentos transmitidos de geração em geração. São esses elementos que dão identidade a cada lugar e fazem com que uma comunidade reconheça suas raízes.

Quando uma sociedade ignora ou destrói seu patrimônio, ela sofre uma espécie de amnésia coletiva. É como apagar as páginas que contam nossa origem e os caminhos percorridos até aqui.

As consequências desse esquecimento são profundas, apagamento da ancestralidade, silenciamento das histórias de povos indígenas, africanos e de tantos trabalhadores que ajudaram a construir nossos territórios, perda de saberes  que desaparecem quando deixam de ser valorizados e transmitidos.

Preservar o patrimônio é, acima de tudo, um ato de respeito à nossa história e às pessoas que vieram antes de nós. É garantir que as futuras gerações também possam conhecer suas origens, compreender sua identidade e fortalecer o sentimento de pertencimento à comunidade.

Assim como a serpente M’Boy percorre a história e o imaginário de Embu das Artes, a memória também nos atravessa e nos conecta. Preservar o patrimônio é manter vivo esse caminho entre passado, presente e futuro, reconhecendo que cada geração deixa sua marca e recebe a responsabilidade de cuidar daquilo que faz da cidade um lugar único.