julho 23, 2026

Manifesto M’Boy 2026

NOTA: este manifesto foi escrito antes da censura empregada contra o Festival M’Boy pelo Poder Executivo através da Guarda Civil Municipal em plena realização da atividade. Todos os anos o Movimento M’Boy elabora coletivamente um manifesto para ser lido no cortejo da Cobra M’Boy durante o festival.

SERPENTEANDO CONTRA A INDIFERENÇA E ENTRE OS PLÁSTICOS DO CENTRO HISTÓRICO.

6º Festival M’Boy de Artes
18 de Julho de 2026, Embu das Artes – SP

A ruína é uma mistura estranha entre o singelo da tradição e a tristeza da coisa que perdeu o seu lugar. Dela o que necessitamos? Das suas rachaduras para que uma natureza mais autêntica possa serpentear.
Violência colonial bandeirante e jesuíta, na Vila M’boy se consolidou uma cultura sua e própria, com fantasmas e santos, entre a remanescência indígina e o fruto caipira, se preparando para o vento forte e a modernidade violenta do século XX.
O que está à venda? É esta cultura que está diante dessa incessante comercialização?
O caipira/ Cássio M’boy/ terminologia exposta a venda? Cães e indústrias no mesmo balcão?
Nestes 200 anos de hiato pós companhia de Jesus novamente olhamos os destroços no chão, morros que passam a ser terra plana, a taipa é plastificada, as almas afugentadas, os rios são emborrachados. “O terceiro mundo vai explodir! Quem tem sapato não sobra!”
Porque a indiferença ao plástico é tão pouca assim?
O Embu parece misturar essas duas coisas:
Entre o genoíno e a estilização
E quem dá espaço a retroescavadeira?
Vocês sabem onde estão pisando?
Num cemitério indígena!
Teve gente que até perguntou: M’Boy da onde? Do Maranhão? Entre aplausos de ignorância e desdém.
As Políticas públicas de cultura em décadas são Jogadas como os malabares e saltimbancos jogam suas bolas a entreter e trazer alegria ao público. Não justificamos aqui a menos importante entre as coisas, mas sim o lançar da flecha no ponto central da roda que não gira, e estático e flerta incansavelmente com o boicote enquanto política pública, propaganda de panfletos políticos cujo único objetivo é perpetuação de poder político entre o capital da especulação.
A quem interessa tal prisão?
Qual o interesse do monopólio da cultura enquanto plano político e ferramenta seletiva?
Cadê o plano municipal de cultura? Cadê a conferência municipal de cultura? Qual a efetiva função de um conselho de políticas públicas de cultura?
Porque o orçamento para a cultura nunca é sequer falado entre as ruínas da propaganda? Não dá voto?
Ouçam-nos, pois já foi gritado e ecoa nos cantos até os extremos da cidade:

  • ⅔ da sociedade civil no conselho de cultura
  • transparência orçamentária da secretaria de cultura
  • não a perseguição política a comunidade artística

Aqui, nós cidadãos, fazedores de cultura, historiadores, artistas, urbanistas, comerciantes e defensores do patrimônio cultural de Embu das Artes, unimo-nos publicamente e presencialmente para erguer uma voz de alerta e resistência. O Centro Histórico de Embu não é apenas um conjunto de fachadas de casebres com uma estética definida; faz sim parte de memória coletiva, certidão de nascimento e o alicerce de identidade.
Assistimos, nos últimos anos, a um processo doloroso de degradação que não podemos mais tolerar. O Centro Histórico de Embu sofre, mais do que nunca, com abandono e a escassez de manutenção, monumentos e espaços públicos que agonizam sob a ação do tempo e do descaso, junto a especulação imobiliária e projetos que descaracterizam a arquitetura original e ameaçando com grande velocidade a harmonia paisagística.
Não buscamos assistir um Centro Histórico transformado em um museu estático e intocado, mas sim em um território vivo, seguro e inclusivo mantendo sua sustentabilidade.
Assim, exigimos das autoridades públicas e sociedade civil, que:
Seja vista Políticas de preservação Efetivas: Fiscalização rigorosa contra demolições ilegais e descaracterizações, além de incentivos fiscais para proprietários que restaurarem imóveis históricos modificados, políticas públicas efetivas de preservação é ato imediato..
Construção com a sociedade e debates para construção de preservação coletiva.
Pelo fim das perseguições políticas e por uma política de cultura que acolhe e não que dívida.
Em prol do conselho técnico de patrimônio de Embu das Artes e pelo livro de tombo
Viva a cidade de Embu da Artes
Viva a aldeia de M’BOY