AS CORES DO PATRIMÔNIO CULTURAL PERIFÉRICO – por Jair Gaiga

foto: Grupo de Samba os Cartolas 1979, participaram do Festival de Música MPB Canta Tereza / Embu das Artes.
A periferia de Embu das Artes, Patrimônio Cultural é um território de memórias, criações e resistência cultural. Durante muito tempo, as narrativas oficiais valorizavam principalmente os patrimônios ligados aos centro histórico e às elites, deixando em segundo plano as histórias construídas nas comunidades populares. No entanto, as periferias possuem uma riqueza cultural, de grande importância, valores e representações, registrado no decorrer da história como Grupo de Teatro Trapo Humano, Festival de Música MPB Canta Tereza, 7 edições, nos anos 80, Sociedade Amigos do Bairro, Grupo de Teatro Embuarte com a encenação da peça Auto da Compadecida, Grupo de Teatro Nossa Terra, Saraus Poéticos no Círculo Palmarino, espaço para discussão sobre cultura e a resistência do negro, Casa da Cultura do Santa Tereza, Feira de Arte nas ruas do bairro, Saraus de Poesias nas Escolas Públicas, com a presença e a participação dos estudantes, nos anos 80 na Escola Estadual João Martins, foi uma grande referência nos debates e reflexões culturais, junto a comunidade, interpretações de poesias em debates políticos e culturais, Sarau TeArte, encenação de peças teatrais e Hip Hop, publicações de livros alternativos e independentes, apresentações musicais em vários estilos, murais, grafites Feira de Arte e Cultura ocupando as ruas, performance com intervenções de Artista Plástico, Arte urbanas, pinturas e desenhos, documentário sobre a comunidade, roda de samba, blocos carnavalescos que durante muito tempo ocupavam as ruas da quadra do bairro Jardim Santa Tereza que mobilizava a comunidade inteira , uma grande festa do povo que foi interrompido por falta de políticas culturais no município, má gestão pública.





O patrimônio cultural da periferia está presente nas ruas, nas praças, nos grupos culturais, nos artistas locais e nas histórias de seus moradores, conhecimento transmitido entre gerações. As cores vibrantes da arte periférica são uma forma de resistência, identidade e afirmação cultural. Cada manifestação cultural carrega marcas de luta, pertencimento e transformação social e os coletivos culturais são exemplos de expressões que preservam a memória e afirmam a identidade de seus territórios.
Valorizar o patrimônio cultural periférico significa reconhecer que a história de uma cidade é construída por diferentes grupos sociais. Preservar essas manifestações é garantir que as vozes das comunidades sejam respeitadas e que suas contribuições façam parte da memória coletiva.
A periferia é também um patrimônio vivo: um espaço onde a cultura se reinventa diariamente, revelando criatividade, solidariedade e novas formas de expressão. Reconhecer essa produção cultural é fortalecer a cidadania e compreender que a arte e a memória pertencem a todos. Os problemas sociais na periferia são questões históricas estruturais que afetam a qualidade de vida de muitas comunidades. Eles não definem a periferia, que também é lugar de Cultura, vida, criatividade e resistência, mas revelam desigualdades no acesso à direitos.
Jair Gaiga, 21 de Agosto 2026.









